segunda-feira, 15 de março de 2010

Ser professor/formador

Vivemos tempos muito difíceis e, igualmente, complexos. Para (quase) todos. Como outras gerações anteriores já carregaram as respectivas cruzes... É nesse contexto que surgem os desafios e as necessárias acções fundamentais para corresponder, da melhor forma possível. O infinitivo do verbo “corresponder” é colocado no sentido de incluir a responsabilização de respostas a toda a sociedade.

Esta problemática começa, desde logo, no seio familiar. Sabendo que as contingências da vida moderna são o que são (os pais, muitas vezes, mais ausentes por razões profissionais; o aumento de sentimentos e comportamentos individualistas, em muitos casos, devido à dependência face à evolução tecnológica; e, para destacar só mais um aspecto, o culto do facilitismo e do mediatismo na prossecução de etapas que requerem outros tempos), o padrão social das famílias parece ter ficado para trás. Ter perdido o comboio… E, para agravar ainda mais a questão, muitos pais desresponsabilizam-se, pura e simplesmente, ou sacodem a água do capote com leviana ligeireza. Assim, o papel nuclear das famílias no processo educativo parece desfasado das exigências de um mundo global aliciante, mas igualmente perigoso.

Exigências relacionadas com a velocidade de circulação da informação e, consequente, tempo necessário para a sua digestão, ficando os jovens entregues à sua sorte. E sabemos que muita dessa informação acrescenta pouco, ou nenhum valor, ao crescimento intelectual e de percepção da realidade. Realidade que lhes é apresentada de forma, frequentemente, demasiado ficcional e, mesmo, com elevada carga de violência.

A escola, por sua vez, em muito devido a um enquadramento político demasiado rígido, tornou-se num centro burocrático, por excelência, de um Estado cada vez mais burocrático. O que parece e é um paradoxo, tendo em conta a flexibilidade e comodidade das novas tecnologias de informação no processo de agilização de procedimentos. Este paradoxo cria, inexoravelmente, sentimentos confusos nos diversos actores, a começar pelos professores. E na sua actividade professoral que vai muito mais além da mera exposição de conteúdos. Em relação a estes e à rigidez burocrática, relevam-se aspectos associados ao tempo necessário de preparação das aulas que, em muitos casos, é ocupado pelo preenchimento de mil e um papéis não directamente relacionados com essa preparação. Esta situação origina um aumento da pressão na gestão do tempo disponível para as actividades pedagógicas verdadeiramente relevantes.

Em termos mais abrangentes, ou seja, alargando o raio de análise para a sociedade, assiste-se a uma crise de valores que afecta negativamente o desenvolvimento educacional. Em muitos casos, existe um facilitismo exagerado na obtenção das coisas (sobretudo, de “elevado peso” material), que não premeia a capacidade de sacrifício e de empenhamento. No fundo, a responsabilidade e o mérito. Neste sentido, é, por muitos, referido como melhor exemplo: alguns concursos televisivos, com o Big Brother nos lugares cimeiros. No caso escolar, por exemplo, tem havido uma delapidação dos poderes dos professores que leva a que os alunos não sintam tanta necessidade de se esforçarem para atingir as suas metas. Situação que se reflecte no processo de avaliação em que é muito difícil e burocrático reprovar um aluno. Deste modo, parte do papel que compete ao professor é-lhe, simplesmente, sonegado.

Em conclusão, haverá muitos outros factores importantes, no entanto, parece-me que os que foram referidos têm a sua “quota-parte” de responsabilidade. O prazer de ensinar e de contribuir para o crescimento/desenvolvimento educativo de jovens, e não só, encontra-se miseravelmente condicionado. Sendo a educação um dos pilares do desenvolvimento humano, com tantas e tantas páginas, mais ou menos virtuais, dedicadas ao assunto, todo o contexto educativo actual parece estar, em grande parte, descontextualizado, espelhando uma sociedade à deriva.

domingo, 14 de março de 2010

Mosteiro num vale verdejante


Guillaume conduziu o carro pela estreita estrada de pedra em direcção ao vale verdejante, com a Pousada de Nossa Senhora da Ascensão como destino, no sopé da colina de onde se via o Castelo de Arraiolos.
Já na esplanada, depois de terem percorrido demoradamente o claustro do Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção, actualmente envidraçado para dar mais aconchego, com grandes potes de barro e os tectos emaranhados de arcos, Guillaume traduziu-lhes a informação do guia acerca daquele monumento:
- Este Mosteiro foi construído nos finais do século XIV, tendo sofrido ampliações no século seguinte. Por isso, apresenta um estilo arquitectónico híbrido do Manuelino ao Renascentista. Actualmente, grande parte do edifício é explorado como pousada.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Arraiolos, terra das três mentiras


- Arraiolos é terra de três mentiras! - afirmou o luso-descendente.
- De três mentiras?! - admirou-se a escandinava.
- Sim! Tem ilhas e não tem mar. Tem ponte e não tem rio. Tem castelo e não tem rei. - explicou o gaulês.

(...)
- Este castelo está intimamente associado à memória do Condestável D. Nuno Álvares Pereira, nobre guerreiro lusitano e líder em inúmeras vitórias sobre tropas castelhanas, principalmente na estrondosa Batalha de Aljubarrota, enfrentando um exército bem mais numeroso. A D. Nuno Álvares Pereira foi doado o senhorio de Arraiolos, em 1387.

terça-feira, 9 de março de 2010

Homenagem a Alda do Espírito Santo

Neste dia, do falecimento de Alda Graça do Espírito Santo (1926, S. Tomé - 2010, Luanda), poetisa são-tomense, presto-lhe a devida homenagem. Sem a existência da UNEAS - União Nacional dos Escritores e Artistas de S. Tomé e Príncipe, fundada por Alda do Espírito Santo, dificilmente teria existido Tranquilamente cúmplices. As culturas são-tomense/africana/lusófona estão de luto. A sua vida de luta é e será um exemplo para muitos. E a sua obra permanecerá para sempre.

domingo, 7 de março de 2010

Honesto estudo com longa experiência misturado

Durante o curto percurso que medeia o ponto em que estavam e o destino seguinte, os três atravessaram um pequeno espaço ajardinado e fresco, cruzando com estudantes carregados de livros e pastas. Guillaume aproveitou para lhes ler o que o guia informava sobre o monumento que iam visitar:

- O edifício que vamos visitar agora é o Colégio do Espírito Santo onde actualmente se concentram os principais serviços da Universidade de Évora. É uma magnífica construção clássica concluída, em 1551, pela poderosa Ordem dos Jesuítas. A partir de 1559, funcionou como universidade, a segunda existente em Portugal (a primeira foi a Universidade de Coimbra), até à expulsão desta Ordem pelo Marquês de Pombal, no século XVIII. Como iremos ver, tem vários claustros, o principal dos quais de uma beleza ímpar. Os corredores e as salas do claustro são forrados de azulejos dos séculos XVII e XVIII, com temas históricos e bíblicos, alusivos às disciplinas nelas ministradas. Algumas salas já foram modificadas, sendo difícil saber como eram originalmente, no entanto, ainda é possível admirar os púlpitos primitivos lá colocados.

Já no claustro principal do Colégio do Espírito Santo, Hanna aproveitou para tirar uma fotografia à bela fachada barroca da Sala dos Actos. Enquanto isso, Paloma espreitava, silenciosa e curiosamente, para uma sala, onde decorria uma aula, admirando o seu interior, nomeadamente os azulejos, as colunas de mármore e os púlpitos em madeira trabalhada.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Monumento majestoso e altivo


Sé Catedral, de Santa Maria, Évora

- O sólido edifício que temos à nossa frente é a Sé Catedral de Santa Maria, de estilo gótico primitivo, com pormenores românicos. A sua construção iniciou-se em 1186 e o projecto primitivo terá sido concluído umas dezenas de anos mais tarde. É uma obra só comparável, em Portugal, ao mosteiro dos Jerónimos ou à Sé Velha de Coimbra. O portal de seis degraus é ladeado por um apostolado completo que presta as honras da casa... - relatou o gaulês.
- Nós não merecíamos outra coisa, claro! - interrompeu a sevilhana.
- Engraçadina! Ao lado desta arcada gótica do portal, com um segundo andar recuado, onde se encontra um extraordinário vitral ogivado, emergem duas torres de quarenta metros de altura, desiguais. A da direita, com os sinos no topo a espreitarem de três arcos românicos, com um relógio e uma janela ogival. A da esquerda, provavelmente mais antiga, polvilhada por uma janela gótica e cinco românicas, distribuídas irregularmente. Ambas as torres acabam num coruchéu. A da direita, com colunas à volta, em forma de pirâmides, tal qual um zimbório.

terça-feira, 2 de março de 2010

Autêntica e inebriante viagem aos tempos medievais


- A pequena urbe amuralhada, como que parada no tempo, de Monsaraz, é um dos maiores encantos de todo o Alentejo e um dos mais ancestrais povoados do país. A sua ocupação remonta ao período pré-histórico, da qual a povoação e os seus arredores conservam diversas recordações megalíticas, alguns dos mais belos monumentos conhecidos na Europa, nomeadamente a Anta Grande do Olival da Pega, um monumento funerário, o Menir da Belhoa e o Cromeleque do Xarez. Monsaraz ergue-se estrategicamente no cimo de um monte localizado junto ao rio Guadiana, por onde passaram romanos, visigodos e árabes, antes da primeira conquista cristã, em 1167, pelo famigerado Giraldo Giraldes, o Sem Pavor. A reconquista definitiva aos mouros concretizou-se já no século XIII com auxílio dos Templários, a cuja Ordem o rei D. Sancho II doou a localidade. Durante a Idade Média, Monsaraz era um povoado seguro procurado pelas populações vulneráveis dos campos vizinhos nos períodos de guerras fronteiriças, embora fosse de difícil acesso e tivesse pouca ou nenhuma água.
É grandiosa a riqueza histórica de Monsaraz. O seu ambiente medieval ainda hoje se respira ao deambular pelas suas ruas estreitas, muitas delas calçadas de xisto da região. - relatou o luso-descendente, antes de rematar: - Portanto, minhas amigas, preparem-se para uma autêntica e inebriante viagem aos tempos medievais.