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domingo, 14 de março de 2010

Mosteiro num vale verdejante


Guillaume conduziu o carro pela estreita estrada de pedra em direcção ao vale verdejante, com a Pousada de Nossa Senhora da Ascensão como destino, no sopé da colina de onde se via o Castelo de Arraiolos.
Já na esplanada, depois de terem percorrido demoradamente o claustro do Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção, actualmente envidraçado para dar mais aconchego, com grandes potes de barro e os tectos emaranhados de arcos, Guillaume traduziu-lhes a informação do guia acerca daquele monumento:
- Este Mosteiro foi construído nos finais do século XIV, tendo sofrido ampliações no século seguinte. Por isso, apresenta um estilo arquitectónico híbrido do Manuelino ao Renascentista. Actualmente, grande parte do edifício é explorado como pousada.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Arraiolos, terra das três mentiras


- Arraiolos é terra de três mentiras! - afirmou o luso-descendente.
- De três mentiras?! - admirou-se a escandinava.
- Sim! Tem ilhas e não tem mar. Tem ponte e não tem rio. Tem castelo e não tem rei. - explicou o gaulês.

(...)
- Este castelo está intimamente associado à memória do Condestável D. Nuno Álvares Pereira, nobre guerreiro lusitano e líder em inúmeras vitórias sobre tropas castelhanas, principalmente na estrondosa Batalha de Aljubarrota, enfrentando um exército bem mais numeroso. A D. Nuno Álvares Pereira foi doado o senhorio de Arraiolos, em 1387.

domingo, 7 de março de 2010

Honesto estudo com longa experiência misturado

Durante o curto percurso que medeia o ponto em que estavam e o destino seguinte, os três atravessaram um pequeno espaço ajardinado e fresco, cruzando com estudantes carregados de livros e pastas. Guillaume aproveitou para lhes ler o que o guia informava sobre o monumento que iam visitar:

- O edifício que vamos visitar agora é o Colégio do Espírito Santo onde actualmente se concentram os principais serviços da Universidade de Évora. É uma magnífica construção clássica concluída, em 1551, pela poderosa Ordem dos Jesuítas. A partir de 1559, funcionou como universidade, a segunda existente em Portugal (a primeira foi a Universidade de Coimbra), até à expulsão desta Ordem pelo Marquês de Pombal, no século XVIII. Como iremos ver, tem vários claustros, o principal dos quais de uma beleza ímpar. Os corredores e as salas do claustro são forrados de azulejos dos séculos XVII e XVIII, com temas históricos e bíblicos, alusivos às disciplinas nelas ministradas. Algumas salas já foram modificadas, sendo difícil saber como eram originalmente, no entanto, ainda é possível admirar os púlpitos primitivos lá colocados.

Já no claustro principal do Colégio do Espírito Santo, Hanna aproveitou para tirar uma fotografia à bela fachada barroca da Sala dos Actos. Enquanto isso, Paloma espreitava, silenciosa e curiosamente, para uma sala, onde decorria uma aula, admirando o seu interior, nomeadamente os azulejos, as colunas de mármore e os púlpitos em madeira trabalhada.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Monumento majestoso e altivo


Sé Catedral, de Santa Maria, Évora

- O sólido edifício que temos à nossa frente é a Sé Catedral de Santa Maria, de estilo gótico primitivo, com pormenores românicos. A sua construção iniciou-se em 1186 e o projecto primitivo terá sido concluído umas dezenas de anos mais tarde. É uma obra só comparável, em Portugal, ao mosteiro dos Jerónimos ou à Sé Velha de Coimbra. O portal de seis degraus é ladeado por um apostolado completo que presta as honras da casa... - relatou o gaulês.
- Nós não merecíamos outra coisa, claro! - interrompeu a sevilhana.
- Engraçadina! Ao lado desta arcada gótica do portal, com um segundo andar recuado, onde se encontra um extraordinário vitral ogivado, emergem duas torres de quarenta metros de altura, desiguais. A da direita, com os sinos no topo a espreitarem de três arcos românicos, com um relógio e uma janela ogival. A da esquerda, provavelmente mais antiga, polvilhada por uma janela gótica e cinco românicas, distribuídas irregularmente. Ambas as torres acabam num coruchéu. A da direita, com colunas à volta, em forma de pirâmides, tal qual um zimbório.

terça-feira, 2 de março de 2010

Autêntica e inebriante viagem aos tempos medievais


- A pequena urbe amuralhada, como que parada no tempo, de Monsaraz, é um dos maiores encantos de todo o Alentejo e um dos mais ancestrais povoados do país. A sua ocupação remonta ao período pré-histórico, da qual a povoação e os seus arredores conservam diversas recordações megalíticas, alguns dos mais belos monumentos conhecidos na Europa, nomeadamente a Anta Grande do Olival da Pega, um monumento funerário, o Menir da Belhoa e o Cromeleque do Xarez. Monsaraz ergue-se estrategicamente no cimo de um monte localizado junto ao rio Guadiana, por onde passaram romanos, visigodos e árabes, antes da primeira conquista cristã, em 1167, pelo famigerado Giraldo Giraldes, o Sem Pavor. A reconquista definitiva aos mouros concretizou-se já no século XIII com auxílio dos Templários, a cuja Ordem o rei D. Sancho II doou a localidade. Durante a Idade Média, Monsaraz era um povoado seguro procurado pelas populações vulneráveis dos campos vizinhos nos períodos de guerras fronteiriças, embora fosse de difícil acesso e tivesse pouca ou nenhuma água.
É grandiosa a riqueza histórica de Monsaraz. O seu ambiente medieval ainda hoje se respira ao deambular pelas suas ruas estreitas, muitas delas calçadas de xisto da região. - relatou o luso-descendente, antes de rematar: - Portanto, minhas amigas, preparem-se para uma autêntica e inebriante viagem aos tempos medievais.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Do Alto de São Bento


...sentados em terreno granítico, desfrutavam dos últimos raios solares reflectindo uma cidade orgulhosamente espalhada em torno da sua catedral, imponente e altiva. Encantados!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Puro encanto

(Templo romano, Évora)
A luz intensa, projectada de baixo para cima, outorga às colunas, teimosamente erectas, um ar imperial. A destruição do tempo e dos homens não têm conseguido abater este símbolo acinzentado da passagem romana por terras da Liberalitas Julia. No fuste, o jogo de luz e sombras é salientado pela maior ou menor rugosidade das caneluras e dos filetes. Nos capitéis prolonga-se esse jogo, antes de terminar nas arquitraves, mais ou menos compostas de blocos de pedra. O peso histórico do Templo Romano eleva-se como que por encanto.
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